Bigode de Leite


Águas acesas

 Águas acesas

Duas estrelas brilham na noite escura.
O barco inimigo em chamas.
O peito ardendo em vitória.

Eu vejo piratas, por todos os lados
Dançando sobre os vencidos

Eles riem de mim
Eles riem comigo

O sal do mar limpa a ferida e arde minha carne.
A bússola quebrada aponta para a sobrevivência e limpa minha consciência.

Comemoremos hoje!
A Carga foi abatida e os lábios estão doces.

Amanhã...
Amanhã não haverá noite

Somente águas acesas.

Capitão Raphael Sevil

 



Escrito por Raul Tabajara às 20h47
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Onde estamos?

Depois de muito tempo eu a abracei. Foi um sentimento tão forte que me fez fechar os olhos. Eu sorri. Seu perfume embalou aquele momento, eu estava feliz.

Olhei em seus olhos e ela não me respondeu, ficou parada, estática, com aquele sorriso fixo, como uma estátua. Seus braços continuaram na mesma posição, ela nao se movia.

Balancei a cabeça e acordei. Olhei-a de novo e ela estava lá, abraçada a mim. Era dia, um sol forte, estávamos num canteiro de flores e havia muitos sorrisos. Fechei o álbum e o guardei. Estamos tão perto... Estamos tão longe... estamos juntos pelas distância que separa os meus olhos do velho álbum de fotografias.



Escrito por Raul Tabajara às 10h30
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Essa é a capa do livro de piratas que estou escrevendo, e estou quase no fim (Eu que desenhei em 3d a capa). O livro terá varios contos de piratas, sendo alguns "contos registros". Contos que não tem nenhuma história de aventura específica, mas que mostram o que os piratas e marinheiros em geral faziam. Abaixo está um desses contos.

 

O piloto

 O Piloto do navio estava sentado em seu posto, criando a próxima rota para a embarcação, quando seu aprendiz entrou na sala. Ele chegou segurando canudos de mapas e vários rabiscos de contas que havia acabado de fazer, os colocou em cima da mesa do piloto e disse:

 - Senhor, eu não estou entendendo os seus mapas. Segundo eles, deveríamos chegar em terra firme daqui a um dia, no entrando acabamos de avistar o porto de Abaru.

 - Refaça suas contas. Você deve ter se enganado. – Disse o piloto olhando para seu aprendiz.

 - Eu fiz três vezes, senhor, veja. Não acredito que eu tenha errado! – Disse o aprendiz, desenrolando seus papéis sobre a mesa e apontando para o mapa , que estava todo rabiscado.

 - Hum... Você aprendeu bem a fazer rotas, Tales. Você só tem que aprender uma última lição... – O Piloto olhou para o aprendiz, pegou uma pena, circulou com tinta a parte do mapa que estava errada e continuou dizendo – Um piloto vale pelo seu conhecimento nos mares em que velejou. Quando você for procurar emprego em outro navio lembre-se sempre de dizer por quais mares já navegou. As experiências em águas novas valem muito mais que simples mapas. Mapas sempre podem estar errados

 - Principalmente se você desenha errado de propósito só para os seus conhecimentos valerem mais, não é? – Disse o aprendiz desconfiando do piloto. Ele recolheu suas contas da mesa e ia saindo da sala quando o piloto disse:

 - Lembre-se sempre disso: Os artistas copiadores sempre acabam distorcendo as escalas dos mapas. É o que todo bom piloto deve saber – Disse o Piloto com um sorriso irônico.

 - É uma boa desculpa. – Disse o aprendiz, entendendo a mensagem do piloto e saindo da sala. Mas antes de sair, deixando a porta aberta, perguntou: - O Capitão Raphael sabe que você adultera os mapas que desenhamos? Afinal, somos um navio corsário, mas desenhar mapas e descobrir novas terras para  o país Abaru é a missão que encobre nossos atos de pirataria.

 - Não só sabe, como isso nós aprendemos juntos!



Escrito por Raul Tabajara às 14h11
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Outra face

 (depois de algum tempo em crise de criatividade, aí está um novo mini-conto)

 

Outra face 

Ela limpou as lágrimas e olhou para frente.

Quase soltou um grito quando percebeu que sua imagem no espelho não havia respondido aos seus movimentos e estava lá, parada de braços cruzados, rindo de suas tristezas.

Assustada virou a chave e abriu a porta do banheiro. Não havia nada do lado de fora, apenas um chão branco infinito e um céu quadriculado de preto e cinza. Voltou para dentro do banheiro, não acreditando no que via, e olhou novamente sua imagem. Ela já estava vestida, passando batom, e antes ir embora escreveu de vermelho na parte de dentro do vidro:

- Fica aí no espelho, tristeza. Hoje à noite eu vou me divertir!



Escrito por Raul Tabajara às 09h39
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Os adultos são complicados

 

Quando criança li um livro sobre a vida na selva. A baixo de uma ilustração onde uma jibóia esmagava um enorme rato estava escrito: “As jibóias engolem, sem mastigar, a presa inteira”

Refleti muito sobre as aventuras da selva e fiz, com o lápis de cor, o meu primeiro desenho. 

  

Mostrei minha obra prima às pessoas grandes e perguntei se o meu desenho lhes dava medo.

Responderam-me: “Porque um chapéu daria medo?”

Meu desenho não representava um chapéu. Representava uma jibóia digerindo um elefante. Desenhei então o interior da jibóia, a fim de que as pessoas grandes pudessem entender.

As pessoas grandes aconselharam-me a deixar de lado os desenhos de jibóias abertas e fechadas e dedicar-me de preferência à Geografia, história, à matemática, à gramática... Infelizmente segui o conselho delas.

Hoje, quando encontro uma pessoa que me pareça um pouco esclarecida mostro-a o meu primeiro desenho e pergunto o que ela vê, esperando encontrar uma pessoa realmente inteligente.

Mas elas sempre respondem “é um chapéu”, então eu não falo de nada, nem de jibóias, nem de aventuras nas florestas, nem de estrelas... Ponho-me no nível delas, falo de  bridge, de golfe, de política e de gravatas. E essas pessoas ficam encantada por conhecer um homem tão versátil...

Pessoas grandes... elas necessitam sempre de uma explicação.

 

(retirado de uma fábula infantil francesa - quem adivinhar de que história peguei essa maravilhosa cena ganha um doce)



Escrito por Raul Tabajara às 15h16
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Mais um texto para o livro "Pequenos Momentos"

 (Se vc entrou aqui para saber do Fanzine de Literatura Gótica procure pelo post do dia 5/3/04)

O Tio Barbudo

Ele era conhecido como “O Tio Barbudo”. Em festas de família ele não podia faltar. Contava piadas, ensinava os mais velhos a cantar garotas, falava de futebol, até sabia cozinhar. Um “cara legal!”, alegrava a todos. Menos à pequena Jéssica, que tinha medo de sua cara peluda. Era só o Tio Barbudo chegar e ela corria para as barras de um adulto – pai, mãe, quem fosse.  O Tio aproveitava, claro, “Buuuuuuuuu!!!”. 

Uma tragédia. Todos tristes. No velório seis “amigas”, amigos de serviço, e toda a família, em prantos, chorando a morte do Tio Barbudo. Muitos não se continham “Era um cara tão legal, mas que mundo é esse!?”.  Lágrimas para onde quer que se olhava. Dor. No canto, chamando a atenção de todos no velório, no meio de tanto sofrimento, surge uma gargalhada em tom de deboche– era jéssica: 

-hahahaha, bem feito!

 

Esse texto entrará na versão oficial do meu segundo livro "Pequenos Momentos" - que está só aguardando a revisão: -Lilian, estou esperando!!!  :)



Escrito por Raul Tabajara às 14h58
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Literatura Gótica: Minha contribuição ao fanzine

( Esse vai ser um dos meus textos que vou colocar no Fanzine  de Literatura Gótica. Acho que vou escrever um outro  especial para ele.)

O Retrato

Um retrato de um dia qualquer. Ela, no centro de um banco de pedra, em uma praça não arborizada. Um dia frio. Roupas escuras. Pombos. Ao fundo uma avenida não movimentada com prédios a sua volta. A foto nem precisaria ser em perto e branco. Mas seus olhos tristes, vermelhos, poderiam destruir o tom cinza daquele momento... Click!



Escrito por Raul Tabajara às 13h42
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Fanzine: Lieteratura Gótica Contemporânea

 

Como o próprio nome diz, Literatura Gótica será um fanzine de arte gótica. Esse fanzine será editado como um livro de literatura, tendo o seu conteúdo totalmente voltado a obras de arte gótica contemporânea. O zine não tratará de nenhum assunto relacionado à notícias ou eventos.

O zine funcionará como um registro do movimento literário gótico. Para isso, os poemas e contos publicados nele serão de autorias diversas, podendo ser escrito por qualquer pessoa interessada em mostrar a sua arte. 

Todos aqueles que quiserem participar terão que enviar o seu texto para raultabajara@hotmail.com, não esquecendo de mandar nome completo, número do rg, pseudônimo (se esse tiver) além de informar se seu e-mail, site ou endereço podem ser publicados, para que o autor possa receber qualquer correspondência do leitor do zine.

 Toda a arte publicada terá, em seu rodapé, essas informações recolhidas do autor, garantindo a ele o registro de publicação, e por conseqüência, seus direitos garantidos sobre a arte.

Literatura Gótica terá uma publicação mensal, inicial, de 300 exemplares, formato 9,5x14 cm (formato pocket), capa couche e 16 páginas internas. O zine será DISTRIBUIDO em casas noturnas góticas de São Paulo e terá sua versão em PDF para download em vários sites de apoio pela internet.

Aqueles interessados em publicar sua arte no primeiro número do zine deverão enviá-la até o dia 20 de março de 2004 para o e-mail já dito raultabajara@hotmail.com. Obras enviadas depois dessa data serão publicadas no número seguinte.



Escrito por Raul Tabajara às 13h26
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Pra quem gosta de poesia: Poesia. Pra quem gosta de conto: Conto.

(Esse conto foi escrito hoje, mas a ideia principal dele veio de uma poesia que criei em fevereiro do ano passado. A poesia foi punlicada no meu primeiro livro: Horror e Pensamentos - livro de publicação independente)

 

Preenchido (Conto)

Ele pegou a folha em branco e a encarou como um inimigo. Tomou em suas mãos o lápis carvão e começou a lutar: Ele rabiscava e gritava. Esfregava o carvão e fazia caretas. Ele destruía aquele branco, que tanto o incomodava, com uma força quase primitiva.

Os tons do carvão só não eram mais fortes que a expressão do desenho: Um rosto, que olhava desconfiado, procurando uma saída, encarando o lado de fora do quadro. Agora ele estava lá, não era um papel branco. Era um quadro forte, pendurado na parede do seu quarto com uma tachinha.

Ali ele havia prendido sua raiva: Das lembranças para as lágrimas, das lágrimas para o carvão e do carvão para o papel. Ele olhou o desenho pendurado e deu as costas.  

Na parede do seu quarto ou dentro de sua alma, pouco importava onde estavam os seus sentimentos, para ele tudo aquilo nunca deixará de ser apenas um enfeite.

 

Preenchido (Poesia)

O papel é branco
Todo rabiscado com carvão
Os tons são fortes
Não mais que a expressão do desenho

Um rosto
Que olha desconfiado
Procurando uma saída
Encarando o lado de fora do quadro

Quadro escuro
De um papel que foi branco
Agora rabiscado a carvão
Pendurado com uma tachinha

Foi ali que eu a prendi:
Da lembrança para as lágrimas
Das lágrimas para o carvão
Do carvão para o papel

Na minha parede ou na minha alma,
O que me importa?
Meus sentimentos nunca deixarão de ser
Apenas um enfeite!



Escrito por Raul Tabajara às 20h18
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Pequenos Momentos

Vinho Gelado

Bêbado, a saliva havia feito efeito. A mesma saliva que infestava o seu pescoço. Ele procurou algo para ficar sóbrio: Vinho gelado.

Que pena, ela teve que ir embora, não podia voltar tarde. Uma casa grande, pais que viajam e um amigo com pouco senso de responsabilidade...

10:30? Ok, que vá então. A festa está só começando.

 

 

Fuga

Subiu, subiu, subiu. Ficou cheia daquela areia suja, escura e pegajosa. No rosto. Nos olhos. Na boca. Ela cavava e subia. Desenterrando seu corpo. Libertou sua mão. Libertou seu braço. Libertou sua cabeça. Limpou seu rosto. Cuspiu. Mais uma noite de febre. Mais um pesadelo. Lençóis úmidos. Local escuro. Seu quarto. Mais uma noite sem ele...

 

(Ambos os textos foram retirados do meu segundo livro: "Pequenos Momentos")



Escrito por Raul Tabajara às 14h44
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Comunicação

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

filosofia de butequim...

Um trabalho do meu antigo colégial técnico em Comunicação Social. (há 6 anos)



Escrito por Raul Tabajara às 02h44
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Espelho

Foi com um gesto rápido que ele se livrou daquela superstição: ele estava no banheiro fazendo a barba quando com o cotovelo desprendeu o espelho. Se não fosse por sua destreza o objeto iria se espatifar. Seriam sete anos de azar...

 

Sete anos de azar?! Era apenas um superstição. Como ele pôde ter pensado tamanha besteira? Olhou de novo para o espelho e se encarou. Fechou os olhos e pensou nos seus medos. Basta!

 

O azar estava em sua mente. Aquilo não era real. Ele encarou a coragem como o desafio de seu medo. Cerrou os punhos e preparou um soco.  O espelho quebrou em mil pedaços.

 

 



Escrito por Raul Tabajara às 20h55
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Teste

esse é só um teste.

(vai me dizer que vc não escreveu essa frase quando vc fez o seu primeiro blog?)



Escrito por Raul Tabajara às 19h53
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